Sábado, 27 de Junho de 2009

Lusofonia


Minha família é estranha. E eu me incluo nesse rótulo. Ontem foi aniversário da mãe de meu pai, nunca consegui chamá-la por avó. E também nunca nos tratamos com afeição depois de algumas semanas de silêncio absoluto, meu pai, o homem que se recusa ao díalogo, me pede que dê notícias a D. Lia. E que a também a felicite pela importante data.

Se ele me conhecesse bem, saberia que eu já tinha bem antes dele "pedir". Sim, sou estranha, mas ainda me considero bem educada, e aniversários não são datas comuns, há de sempre comemorar. Liguei ao amanhecer do dia, e a cumprimentei : evento esse que repito a cada junho, e tbm, a cada data por ela considerada importante: Natal, Ano Novo, Páscoa...

Ela por ser de criação católica gosta desses ritos, e nunca me incomodei em seguir o protocolo. Enfim, fiz o que já era costume, ela não recebeu com entusiasmo e muito menos com surpresa o meu telefonema, um tanto melhor, porque assim foi pouco constrangedor. Ela apenas me pediu o endereço daqui, pq quer presentear a Liz com uma toalha bordada. Isso sim foi surpreendente, mas, mesmo duvidando que ela de fato envie tal mimo, passei o endereço.

Hoje foi um dia preguiçoso, talvez porque tive uma semana complicada, e decidi fazer desse sábado um dia de desaceleraçã0. Para isso, escolhi ouvir músicas que me remetem introspecção, e para isso, ouço músicas portuguesas.

Fico encabulada como meu inconsciente me prega peças: ouvindo coisas ali e aqui, descubro lá no fundinho de minha memória afetiva, uma música que D. Lia cantarolava todo santo dia, naqueles dias que passei na Vila dela:


"...Enquanto for só ternura de verão,eu vou, enquanto a excitação der para um carinho, eu dou..."


As conclusões que cheguei com esse episódio ainda não tenho coragem de verbalizar...

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Desdobramentos:

Acabo por acordar, e são agora um pouco antes das 23:00hrs. Acabei que fui a lá, não numa delegacia, mas num centro de apoio a vítimas de violência urbana. Oferecem chás, e claro, serviços de psicólogos. Sabe? Achei isso interessante: deve ser muito raro esse tipo de coisa aqui, pq, imagine isso sendo viabilizado em qualquer cidade de médio porte em Brasil? Acho realmente improvável.

Minha ida foi tranquila, fui junto com Heles que de novo deixou o trabalho para ser minha companhia, e lá relatei tudo que lembrava. Perguntaram se eu seria capaz de fazer uma espécie de retrato falado, mas eu afirmei que não conseguiria... Eu, de verdade pouco lembro do que me aconteceu.

A única coisa que não consigo esquecer é a sensação de impotência. De pequinês humana. De medo. De horror. E essa imagem eu queria esquecer. Mirta, a assistente social de lá me garantiu que isso será logo digerido, e que seria mais rápido se aceitasse ajuda.

Se aceitei?
Alguma dúvida?
=)


Domingo, 21 de Junho de 2009

Insomnia:


Foi um dia difícil...

Toda vez que tentei hoje dormir ( já que ontem foi impossível), acordei com palpitações. Sem falar que meu nariz inchou a tal ponto que ter medo dele ter sido quebrado. E aí, quem disse que tive coragem de ir ao hospital e tirar um raio x para comprovar meu medo?

De tão teimosa Heles liga a minha mãe, bem de madrugada em Brasil, e me fez ouvi por horas que não posso ceder ao medo. Sei que não posso, mas eu por reflexo, por intimidade a ele, acabo por ceder... Hoje eu não cedi, mas esse mérito nem de longe é meu.

Fui ao bendito hospital, e está tudo bem com meu nariz, e segundo o médico , voltará a coloração normal em poucos dias.

Estou parecendo uma zumbi: ando de lá pra cá, inquieta, e apesar de cansada, não tenho sossego para dormir. Hoje mais cedo recebemos em casa a visita do chefe de segurança comunitária, e ele me disse que amanhã ( ou seja, daqui a poucas horas) terei que ir ao centro de detenção afim de se reconhecer alguns rostos

Não quero ir.

Quem disse que se precisa ir para esse tipo de lugar, hein?


Sábado, 20 de Junho de 2009

Terror noturno



Também conhecido como distúrbio ou transtorno do pânico, cujo nome científico é "Ansiedade Paroxística Episódica", é um tipo grave de ansiedade que acomete de 2 a4% da população mundial. Fui hoje apresentado a ele. Nunca tive em minha vida tamanho pavor de algo, e até agora queria entender o que aconteceu comigo...

Foi assim: sábado comum, e depois de nossas obrigações em casa, decidiu-se que íriamos jantar fora. Heles sugeriu o IKEA ( aqui mesmo em Gent), e fiquei muito contente, pq lá é uma maravilha, tanto a lojinha, como o restaurante. Fomos ao centro da cidade, e lá nos separamos: Liz , Matt e Clóe foram trocar uma mercadoria numa loja anexa, eu fui ao telefone público ligar para casa, e em seguida, me reencontrei com Heles na porta restaurante. Ele fez com rapidez as reservas, mas eu disse que ia procurar o restante da família, já que estavam demorando mais que o previsto.

Já na calçada, e sozinha, fui surpreendida por um ataque de um homem empunhando uma arma. Fui assaltada. E até agora estou tremendo de pavor...

Ele me falou coisas, que sinceramente não entendi, e confesso dizer que nem sei em que idioma foi. Penso que o medo extremo me fez surda, lerda, sonsa... Então, já que eu não esbocei reação, ele tomou minha bolsa, e bateu em meu rosto com aquela mão enorme entre meus olhos e nariz.

E foi essa reação que desencadeou um choro convulsivo. E foi com esse choro que Heles me encontrou. Chorei até chegar em casa, e aqui, choro de novo: de alívio por estar em segurança, e de felicidade por não ter sido machucada com maior gravidade.

Saldo da noite? Nariz inchado, sem meu pendrive e alguns documentos, porém, apesar disso, estamos bem. Esse episódio foi inédito a todos aqui, e isso é ruim, já que não sabemos como devemos proceder, eu mesma, não sei como me portar se isso de novo acontecer...

E fico a me perguntar: será que, de fato, estamos preparados para algo inesperado?


=(



Sábado, 13 de Junho de 2009

Montgolfiere

"Porque o ser humano nasceu para poder voar"

Foi com esse argumento que meu pai "postiço", me convenceu a algo fabuloso: voar num balão! Essa semana, tinha programado uma viagem, mas não quis ir por conta do pavor momentâneo de voar evidenciado pelos últimos acontecimentos, em especial pela queda do Airbus.
Fico imaginando o grupo de resgate ali naquela área, que é a Dorsal Atlântica - montanhas submarinas, fendas, vulcanismo, terremoto, deslizamento de sedimentos. O avião se caiu ali, deve ter caído de bico, as asas se partem e ficam presas nas rochas, e o corpo do avião afunda. Os corpos ficam presos em cintos de segurança, onde o oceano será seu túmulo, afinal, 4000m é muito difícil encontrarem alguma coisa. Mesmo os destroços, pq a corrente marítima é forte e espalha tudo. Oh, céus, só em pensar nisso, me gelo toda...
Eu amo voar. Realmente amo, mas só conhecia os voos comerciais, mas a queda estranha do avião me deu um medo insano, e eu, tão acostumada usar desse meio de transporte me vi paralizada de pavor.
Fiz pesquisas e mais pesquisas sobre quanto tempo de consciência uma pessoa teria nessas situações( prevendo o quanto poderia doer a morte) ,pesquisei estastísticas, casos de acidentes, o percurso de meu voo, se era perigoso, essas coisas...
Fiquei tão paranóica que comecei a escrever algo para meus parentes se caso me acontecesse...
Uma bobagem, eu sei, mas eu fiquei realmente chocada com o ocorrido. Um avião não foi feito para cair. Não aceitava essa situação. Mas, enfim, o medo venceu. Tinha uma viagem programada para um seminário essa semana: sairia daqui na terça-feira, e no sábado estaria de volta, mas resolvi bater o pé e respeitar meu receio, mesmo sendo (e agindo) como criança.
Só que sou uma pessoa que não lida bem com o medo: estava angustiada, irritadiça, e brigando com todo mundo, Heles, a pessoa que é meu "pai" por essas terras, teve a gentileza de me fazer de novo íntima do ar.
Serei eternamente grata a ele: foi uma experiência única, que quero assim que possível, repetir.

Sábado, 6 de Junho de 2009

Risos na madrugada


Já dormíamos todos, quando fomos acordados pelo choro de Matt. A família toda se mobiliza, já que esse mocinho não costuma reclamar por pouca coisa. Ele, coitadinho, chorava tanto! Deu uma dó...Liz, cansada, querendo dormir, ameaçava dar umas palmadinhas, mas, Heles, sempre com paciência pega o pequeno o berço e sai andando pela casa afim que ele se acalmasse.

Resolvo fazer companhia, afinal, que coisa triste é zanzar pela casa sem ninguém a acompanhar, né? Faço um chá para todos, e o bebê começa a chorar baixinho, incansável... =(

Ligam ao pediatra, listam os sintomas, o que se mostra desnecessário, já que ele a todo instante coloca a mãozinha no ouvido esquerdo. O médico, adivinhe? Poisé, ele afirma com uma certeza que o próprio doenteinho já sabia : era dor de ouvido. Sugere duas gotinhas de um rémedio que já tinhamos em casa, e com muito custo, ele se acalma.

Se acalma, mas a carinha de dor, e o rostinho inchado de tanto chorar persiste. Então, o pego ao colo, cheiro seus cabelos, e mostro um brindezinho que ganhei na festa junina da Abrasa: um tubinho desses que se fazem bolhas de sabão. Demostro o uso. Ele segue com o olhar a primeira bbolha , sem nada entender. Fico imaginando as coisas que ele deve ter pensando: " como essa bolhona saiu do canudinho?" e depois um " uau, sensacional! quero fazer dessa mágica!"
Então, com curiosidade e sem o menor medo, Matt se dispõe ao exercício, e se dá muito bem. Nas primeiras tentativas ele sobrava e não fazia nada - soprava para dentro, ou sobrava sem força, ou ainda, soprava longe do pequeno aro. Quando enfim entendeu o processo, foram sucessões de gritinhos alegres, e risos infantis...
Esse riso não foi solitário: todos rimos com ele. Rimos pelo alívio da dor ter passado, da alegria de vê-lo feliz, e em especial, rimos da maravilha que é presenciar um milagre, que é quando vemos um aprendizado: ele aprendeu algo, e esse algo para nós adultos tão banal, foi para ele motivo de brilho nos olhos...
Entendi mais uma vez a beleza da letra de Povia , nesse trecho que diz assim:
Quando i bambini fanno "oh"
che meraviglia, che meraviglia!
ma che scemo vedi però,però
che mi vergogno un po'
perchè non so più fare "oh"
Foi uma experiência linda, e aqui, do meu jeito, eternizo.

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Experiência culinária: Bretzeln!=)


Sábado dei uma de mestre cuca, e fiz uma receitinha alemã: Bretzeln, e seria interessante que todos conhecessem a história, veja o link: http://cybercook.terra.com.br/culinaria-pretzels.html?codmat=272

Um dia, falávamos daquilo que faz diferente um povo, uma nação...As informações foram tantas, mas, nada, absolutamente nada faz mais sentido que diferenciar e melhor compreender o povo que conhecer, e interagir de sua culinária.

Desde que estou aqui, tento parecer daqui originada...E isso se faz cada vez mais fácil, assim que fiquei sabendo da finalização de meu processo de dupla cidadania. Sei que parece desculpa de glutão, mas, é verdade: tento experimentar a tudo, sem maiores preconceitos.
Mas, enfim, voltemos ao relato: sábado estava um tanto ansiosa, e decidi cozinhar um pouco. Entre uma receita e outra, acabo escolhendo fazer algo menos elaborado, imaginando que fosse mais simples. Ledo engano!=P

Todo mundo sabe que toda receita que se preze, só dá certo quando algo dá errado, né? Portanto, partindo dessa primícia, a minha deu muito certo, já que a ideia original era fazer o Spätzle, mas como eu não consegui entender a tal receita, por estar em alemão, e essa língua ser pra mim, de difícil compreensão, desisti logo, então fui para a minha segunda opção: Bretzeln.


Receita de Bretzel (original):

  • Sal grosso a gosto
  • Manteiga para untar
  • 3 colheres (sopa) de bicarbonato de sódio
    1 ½ xícaras (chá) de água morna
  • 5 xícaras (chá) de farinha de trigo
  • 1 colher (chá) de sal
  • 2 colheres (sopa) de açúcar mascavo
  • 1½ xícara (chá) de água
  • 1½ tablete de fermento biológico


Dissolva o fermento em 1 1/2 xícara (chá) de água. Coloque num recipiente grande e acrescente o açúcar. Mexa bem e acrescente a farinha, aos poucos, e em seguida o sal. Misture a massa até que se desprenda das mãos. Dependendo da qualidade da farinha, às vezes é necessário acrescentar mais ou menos.
Coloque a massa num recipiente e cubra com filme plástico. Deixe a massa descansar por cerca de 1 hora ou até que dobre de volume.
Ligue o forno em temperatura alta (200 graus). Unte 2 assadeiras grandes com manteiga e farinha de trigo.
Retire a massa do recipiente e divida-a em 12 partes iguais, para isso, pese a massa. Estique cada porção, com a palma da mão, em forma de cobrinha.
Dê forma às cobrinhas e una as pontas. Coloque a água morna e o bicarbonato de sódio num recipiente e misture bem. Despeje a mistura num prato fundo.
Mergulhe cada bretzel no banho de água morna com bicarbonato, com uma escumadeira, e coloque-os em seguida na assadeira untada. Deixe os pretzel crescerem mais uma vez por cerca de 15 minutos.
Leve a assadeira ao forno pré-aquecido por cerca de 15 minutos ou até que fiquem dourados.
Retire a assadeira do forno e pincele cada pretzel com manteiga derretida. Polvilhe-os com sal grosso.

"Praticamente" segui toda a receita oferecida pelo site, porém, fiz algumas adaptações, já que não tinha em casa sal grosso, então, decidi fazer o biscoito sem o sal. Não tinha tbm o açúcar mascavo, o que me fez quase desistir, mas, sei lá, eu queria cozinhar algo, estava um tanto ansiosa. E já tinha ficado chateada por não ter conseguido fazer o Spätzle, então, não seria a falta desses dois ingredientes que fariam a tudo perder. Ele meio que ficou sem graça, até eu ter a brilhante (?) ideia de fazê-los com cobertura de chocolate. Veja pela foto, não ficou muito feio, né? E o sabor...Hnm, eu gosto de chocolate, então, já que o trequinho ficou muito meia-boca, eu apenas lambisquei todos eles. Mas, tbm, né? Veja só, eu queria comer um macarrão, e tive que me contentar com biscoitinhos, não tinha mesmo como dar certo, né?